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domingo, 8 de agosto de 2010

Toscani e a Publicidade enquanto cadáver simpático

A Publicidade é um cadáver que nos sorri


Ainda não encontrei definição que melhor descreva o homem contemporâneo, da era cibernética - robótico tecnicista, segmentado e individualista - ou como Oliviero Toscani nomeou, o homem pós-humano, tal como no livro A publicidade é um cadáver que nos sorri, de Oliviero Toscani.


"A vida por procuração toma lugar da própria vida. As maiores festas, as mais poderosas emoções tornam-se virtuais. A comunicação direta entre os homens, o calor, a festa, o contato, o humor, o amor, a sedução, desaparece numa pseudo comunicação fria, eletrônica".

A leitura de "A publicidade é cadáver que nos sorri" nos situa no lado obscuro da publicidade, o que poucos têm acesso, o universo desconhecido ou pouco usual da mundo publicitário e propagandista. Adiciona informações antes ignoradas ou ainda, delimitadas, pelo que se pode ou não saber a cerca do círculo glamoroso e repetitivamente viciante que é a publicidade. O eterno faz- de-conta, a antiga fórmula de gata borralheira tantas vezes utilizada na propaganda, a venda do paraíso sempre insatisfatório através do consumo exagerado, da compra indiscriminada, da necessidade do fútil, do dispensável.
Do ser por meio do ter.

Oliveiro disseca os pormenores da publicidade enquanto falácia, no que diz respeito à área iminentemente fadada à falência se, de acordo com Toscani, persistir na mesmice, nas variações do mesmo tema, sem revolucionar, sem ousar.

Publicitários são Criativos, diz Oliviero, mas não são Criadores.

Para ele, é indispensável a não dissociação entre publicidade, realidade e sociedade. Vender sim, mas ter consciência do papel social que cabe a publicidade enquanto meio de divulgação de informações e influências.

Toscani aponta caminhos e possíveis soluções: o que ainda pode ser feito, modificado no conto de fadas que a publicidade prega, na eterna felicidade putrefata e disfarçada de beleza morta, muda.

O verdadeiro cadáver que nos sorri...


"A publicidade é um cadáver perfumado. Sempre se diz a respeito dos defuntos: "Ele está bem-conservado, parece até que sorri". O mesmo vale para a publicidade. Acha-se morta, mas continua sorrindo".


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